O sistema meteorológico formado no Sudoeste do Oceano Índico ganhou força e já tem nome: Horacio. As autoridades acompanham de perto a evolução, mas por enquanto a costa moçambicana não está em perigo imediato.

Ainda não terminou a memória do "Gezani" a tempestade tropical que em meados de fevereiro ameaçou entrar no Canal de Moçambique e já surge um novo sistema no radar meteorológico do país. O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) confirmou esta sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026, que a depressão tropical que se formou na Bacia do Sudoeste do Oceano Índico evoluiu para Tempestade Tropical Moderada e recebeu o nome de "Horacio".

O que se sabe até agora sobre o Horacio

De acordo com o comunicado oficial emitido pelo INAM, às 08h00 desta sexta-feira o sistema localizava-se na posição 15.1° Sul de Latitude e 76.5° Este de Longitude, ainda afastado da costa moçambicana. Os ventos médios registados são de 65 quilómetros por hora, com rajadas que podem atingir os 95 km/h valores que classificam o fenómeno dentro da categoria de tempestade tropical moderada, segundo a escala utilizada pelos serviços meteorológicos regionais.

O sistema desloca-se a uma velocidade de 17 km/h, com trajectória Sul/Sudoeste. É precisamente esse movimento que os meteorologistas estão a acompanhar com mais atenção.

Possibilidade de evolução para ciclone tropical

O ponto mais sensível do boletim divulgado pelo INAM diz respeito à evolução prevista: existe a possibilidade de o Horacio intensificar-se e atingir o estágio de Ciclone Tropical por volta do dia 22 de Fevereiro de 2026. Isso significa que, em menos de 48 horas, o sistema pode mudar de categoria o que altera o nível de risco e a capacidade destrutiva do fenómeno.

Para efeitos de comparação, o "Gezani", o sistema que antecedeu o Horacio nesta temporada, chegou ao Canal de Moçambique com ventos médios de 75 km/h e rajadas até 100 km/h, registando impacto potencial nas províncias de Sofala, Inhambane e Gaza. O Horacio parte com ventos ligeiramente inferiores, mas a trajectória e a evolução nas próximas horas vão ser decisivas.

Costa moçambicana fora de perigo imediato mas atenção continua

Apesar do cenário que preocupa, o INAM tranquilizou a população: até ao momento, o Horacio não representa perigo directo para o Canal de Moçambique nem para a costa do país. No entanto, as autoridades foram claras ao sublinhar que a situação está a ser monitorada de forma permanente e que novos boletins serão divulgados conforme a evolução do sistema.

Esta postura de acompanhamento contínuo é consistente com o que aconteceu durante o Gezani, quando o INAM actualizou a informação em tempo real e permitiu que populações costeiras se preparassem atempadamente. A experiência acumulada nas últimas temporadas ciclónicas em Moçambique incluindo o devastador Idai em 2019 e o Kenneth semanas depois mostrou que a comunicação antecipada salva vidas.

O que significa a temporada ciclónica de 2025-2026 para Moçambique

A época ciclónica no Índico Sul decorre tipicamente entre Novembro e Abril. Nesta temporada, Moçambique já registou a passagem ou ameaça de mais de um sistema. O surgimento do Horacio ainda em fevereiro mostra que o período mais crítico ainda não passou.

Dados históricos do INAM e de organizações meteorológicas internacionais indicam que a bacia do Sudoeste do Oceano Índico tem vindo a registar sistemas cada vez mais intensos nas últimas décadas, tendência associada ao aquecimento das superfícies oceânicas. Em 2024, o ciclone Filipo e outros sistemas menores já tinham obrigado o país a reforçar os mecanismos de resposta de emergência.

O que a população deve fazer agora

O apelo do INAM é directo: acompanhe os avisos oficiais e não partilhe informações não verificadas. Em situações como esta, a desinformação pode ser tão perigosa quanto o próprio fenómeno meteorológico.

Para as comunidades costeiras especialmente nas províncias de Sofala, Inhambane, Zambézia e Nampula é recomendável manter atenção às actualizações e preparar planos básicos de contingência: saber onde estão os abrigos mais próximos, ter documentos e pertences essenciais acessíveis, e não ignorar alertas de evacuação caso sejam emitidos.

O INAM disponibiliza informações actualizadas através dos seus canais oficiais e do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que coordena a resposta humanitária em caso de necessidade.


Acompanhe este espaço para actualizações sobre a evolução da Tempestade Tropical Horacio. Novas informações do INAM são esperadas nas próximas horas.