O dia amanheceu diferente para centenas de famílias da cidade de Maputo. Logo cedo, no Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique, o ambiente era de azáfama misturada com emoção. Mochilas às costas, balde na mão, kit de higiene debaixo do braço e nos olhos, uma mistura de ansiedade e determinação que só quem está prestes a mudar de vida consegue ter.
Estes são os jovens seleccionados para o 45.º Curso Básico de Formação de Guardas da PRM, que arranca esta semana com destino à Escola Prática da Polícia em Matalana, no distrito de Marracuene, a poucos quilómetros de Maputo. A formação tem duração de nove meses e vai transformar civis em agentes de segurança pública.
A despedida que ninguém quer apressar
A cena no Comando da PRM foi de puro sentimento moçambicano. Abraços que demoraram mais do que o normal, sorrisos nervosos, e algumas lágrimas que escaparam discretamente por entre as palavras de encorajamento. Os telemóveis foram deixados em casa as regras são claras desde o início.
Os pais que estiveram presentes não esconderam o orgulho. Em declarações à Miramar, vários familiares disseram esperar que os filhos regressem como policias íntegros, disciplinados e comprometidos com o serviço à comunidade. O desejo é simples: que a farda signifique honra, e não apenas emprego.
Quatro mil jovens de todo o país
Este curso não é apenas um momento da cidade de Maputo. No total, quatro mil jovens provenientes de todas as províncias do país começam a formação em simultâneo em Matalana. As vagas foram distribuídas proporcionalmente: Nampula, Zambézia e Cidade de Maputo concentram cada uma 10,7% das vagas, enquanto províncias como Niassa (7,5%) e Manica (7,1%) têm menor representação, mas estão igualmente presentes.
Comparando com os cursos anteriores, este representa a retoma da formação após um período de suspensão de cerca de três anos o que explica, em parte, a enorme procura e o entusiasmo que se viveu tanto nas inscrições como agora na partida. A PRM reconhece que este investimento é urgente, sobretudo num contexto em que novas formas de criminalidade exigem agentes mais bem preparados.
Matalana: onde os guardas nascem
A Escola Prática da Polícia em Matalana é, há décadas, o espaço onde Moçambique forma os seus agentes de segurança. Localizada no distrito de Marracuene, a escola recebe recrutas de todo o país e submete-os a um programa que combina instrução física, formação cívica, direito, ética policial e técnicas operacionais.
Antes da chegada deste grupo, o Comandante-Geral da PRM, Joaquim Sive, visitou pessoalmente as instalações para verificar as condições de acolhimento. Segundo informações da imprensa nacional, Sive percorreu as diversas áreas da escola e manifestou satisfação com o estado das infraestruturas e com a preparação logística feita para receber os novos recrutas.
Esta visita não é um detalhe menor. Ela sinaliza que a liderança da PRM está atenta ao processo e que a formação desta geração de policias é uma prioridade institucional real, e não apenas um procedimento de rotina.
Uma oportunidade que muitos disputaram
Para chegar a este momento, os jovens que hoje partem para Matalana passaram por um processo de selecção rigoroso: provas físicas, inspeção médica, prova escrita de cultura geral, entrevista e até auscultação pública nas comunidades onde residem. Só depois de aprovados em todas essas etapas é que foram convocados.
Os requisitos de base incluíam ter a 12.ª classe concluída, idade entre 18 e 30 anos, altura mínima de 1,70 metros para homens e 1,65 metros para mulheres, e boa condição física e psíquica. Quem cumpriu o Serviço Militar Obrigatório teve preferência no processo de selecção.
O que vem a seguir
Durante os próximos nove meses, estes jovens vão viver em regime de internato, longe de casa, sem telemóveis e sujeitos à disciplina militar. É um período de transformação e quem já passou por Matalana sabe que não é fácil. Mas também sabe que quem sai de lá, sai diferente.
As famílias ficam a aguardar. A comunidade fica a aguardar. E Moçambique fica a aguardar porque cada agente que se forma bem é mais uma peça no esforço colectivo de construir um país mais seguro.
Fonte: Miramar / PRM / Jornal Notícias
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