Um desentendimento por causa de bebidas alcoólicas, uma fuga precipitada e um carro destruído pelo fogo. Tudo numa manhã de domingo, na cidade de Maputo.

Às vezes, as situações mais absurdas começam com os valores mais pequenos. Neste domingo, na cidade de Maputo, 370 meticais menos do que custa um prato de comida num restaurante de bairro estiveram na origem de um acidente que terminou com uma viatura completamente destruída pelo fogo.

O episódio aconteceu nas imediações do vulgo Jardim dos Madgermans, num bairro que, infelizmente, não é estranho ao barulho de sirenes. Mas desta vez, a causa não foi o trânsito caótico da cidade, nem chuva, nem excesso de velocidade. Foi uma conta por pagar.

Como Começou Tudo

De acordo com testemunhas que relataram o sucedido à Miramar, o homem no centro desta história chegou ao local a conduzir uma viatura que pertence ao seu patrão. Parou, consumiu bebidas alcoólicas na zona e, na hora de acertar as contas com a vendedeira, recusou ou não conseguiu  pagar os 370 meticais do consumo.

A discussão escalou rapidamente. Palavras foram trocadas, o ambiente ficou tenso, e o homem, sem resolver a situação, entrou no carro e abandonou o local a alta velocidade.

O problema é que pressa e álcool raramente combinam bem. Instantes depois de deixar o local, o condutor perdeu o controlo da viatura, despistou-se, galgou o passeio e embateu com força contra o muro do Jardim dos Madgermans.

O Fogo Que Não Esperou por Ninguém

A colisão em si já seria suficiente para fazer a manchete do dia. Mas o pior estava para vir. Logo a seguir ao despiste, a viatura começou a libertar fumo. Aos poucos, as chamas foram tomando conta do carro. Quem estava por perto assistiu impotente enquanto o veículo ardia.

O Serviço Nacional de Salvação Pública foi accionado e deslocou-se ao local ainda dentro do prazo esperado. Tentaram combater o incêndio. Mas dez minutos depois do despiste, já era tarde demais. O carro era, nessa altura, apenas sucata carbonizada.

O condutor, curiosamente, saiu ileso do acidente. O mesmo não se pode dizer da viatura que não era sua, recorde-se, mas do seu patrão.

Um Acidente Que Levanta Questões

Este episódio é, em muitos aspectos, o reflexo de uma realidade que se repete pelas ruas de Maputo. A sinistralidade rodoviária na cidade continua a ser um problema sério. Segundo dados da Polícia de Trânsito, a maioria dos acidentes registados na capital resulta de condução sob influência de álcool, excesso de velocidade ou distracção muitas vezes, uma combinação dos três.

Neste caso em particular, a que acresce um dado relevante: o condutor estava ao volante de uma viatura que não lhe pertencia, o que levanta questões sobre responsabilidade patrimonial e sobre quem vai responder pelos danos causados ao muro, à viatura e, eventualmente, na esfera criminal.

A vendedeira, cujo desentendimento com o homem despoletou toda a situação, terá ficado com os seus 370 meticais por receber. A diferença é que o que começou como uma dívida pequena acabou por destruir um bem de valor consideravelmente superior.

A Cidade e os Seus Fins-de-Semana

Fins-de-semana de manhã cedo na cidade de Maputo têm uma rotina que qualquer morador conhece bem: o movimento nos mercados, o barulho das chapas, os grupos junto às barraquinhas de bebidas. É um cenário familiar, quase reconfortante.

Mas é também o cenário onde este tipo de incidentes acontece com uma frequência que devia preocupar mais. A mistura de bebidas alcoólicas com a posse de viatura de terceiros, sem vigilância e num contexto de tensão, é uma combinação perigosa como este domingo voltou a demonstrar.

O Serviço Nacional de Salvação Pública fez o que pôde. As chamas foram contidas antes de se propagarem a outros bens ou pessoas. Mas o carro ficou destruído, e a história ficará, certamente, para contar seja pelo condutor, que teve uma sorte que não merecia, seja pelo patrão, que vai querer explicações sobre o estado da sua viatura.

Os 370 meticais, entretanto, continuam por pagar.


Fontes: testemunhas oculares, conforme relatado à Miramar.